"Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!"
Fernando Pessoa
Enlace de sons, Aromas que se cruzam, Sentimentos de cores imagináveis morrem em gentes, Trovas Momentos que fogem Ausentes dispersos Fomos Imagens que se prendem em desejos proibidos perdemos, tudo se aproxima espreito-te e vejo nosso ser tão distante relações de gestos singulares num parelelismo de expressões definições de ternura, poeira eu, tu escuro, encontro teu nosso.
Na próxima 6ª feira - 27 de Março - comemora-se o Dia Mundia do Teatro (além de ser também o dia do meu aniversário. Facto insignificante perante a grandiosidade que é o espectáculo em questão!). Enquanto actor e, principalmente, enquanto apreciador de bom teatro não poderia deixar em branco tal data. Mantenham viva a chama do Teatro!
Num simples palco pisado por seres (a)normais assistimos ao pânico que é o Teatro em chamas, à vida que nos passa ao lado. Em palco bebemos o primeiro soro inventado por velhos estudiosos onde estamos protegidos das mórbidas doenças que rapidamente se dispersam entre nós, a frustração e angústia. Quero ser único, original, diferente... demonstro-o em palco, pois aí ninguém me aponta um dedo por ter vários "Eu´s". Ao invés da sociedade podre em que vivemos, onde o cinismo e a ganância absorve os mais fracos, me critica devagar, porém intensamente. Tentamos ser verdadeiros, equiparamos a nossa vida a um simples teatro, onde as semelhanças são bastantes, porém o terceiro acto que vincula a nossa passagem por esta realidade ficou mal escrito, onde os erros são mais que muitos. Words, words, words... only words... Tem-se queimado todas essas palavras perdidas que involuntariamente ficaram esquecidas em guiões deficientes, em irresponsáveis permanentes. No teatro da vida, o cartaz que publicita a mais bela peça nunca vai ao encontro da essência do TEATRO!
[Deixo aqui uma pequena homenagem ao Grupo de Teatro onde pertenço apresentando o nosso logotipo - Grupo de Teatro de Pedreira.]
Analiso prazeres, percorro pegadas de nós, passado não possuo escuridão naquilo que me rodeia, ausência do que me pertence. E ali permanecemos um só, convictos, Independentes!
Gesto inocente, simétrico, apenas avistava um abstracto desalinhado em formas desajeitadas de geometria de tons, de claridade, de movimentos que aguardavam no mesmo lugar, preenchidos por pedaços de dia.
Quando pensamos que fazemos feitos heróicos no nosso dia a dia, quando acreditamos que trabalhamos horas a fio e que não dedicamos muito tempo a nós mesmos, quando estivermos à beira de desistir vejamos histórias de vida como esta que vos apresento. Sem dúvida, uma lição que demonstra o nojo de vida que é a minha, onde os sacrifícios são poucos, as fraquezas são mínimas, as desilusões ultrapassáveis. São vidas como estas que me fazem pensar, que mexem comigo a tal ponto que chego mesmo a questionar se algum dia já passei realmente por dificuldades, por momentos adversos, por frustrações... Uma coisa é certa, a vulgaridade da minha vida, que em nada se destaca das demais.
Esta lição de vida resume-se quando, um dia, um filho pergunta ao pai:
"Pai, vens correr a maratona comigo?"
O pai responde afirmativamente e correm a primeira maratona juntos. Mais tarde, o filho volta-lhe a fazer a mesma pergunta à qual o pai volta a responder de modo positivo.
Uns tempos depois o filho faz uma proposta arrojada ao pai:
"Pai, queres correr comigo o Ironman?"
(Esta prova exige nadar 4 km, percorrer 180 km via ciclismo e correr 42 km.)
Odeio esse jeitinho falso que balança em brisas loucas de inveja moldadas de tentativas falhadas de posse... De possuires aquilo que me pertence, de te empenhares em afastar aquilo que é meu por natureza, mas que tanto desejas, não passando de saques obsoletos, de ambições frustradas. É uma questão de loucura, onde a tua extravaza os trâmites legais da minha paciência, da minha capacidade de aceitação, do meu sofrimento. Não quero, não posso, não consigo aceitar tais actos que de tão vulgares que são me ultrapassam, uma vez que sei apreciar classe e rejeito a vulgaridade que há em ti, o desespero de um dia possuires a virtú que me preenche e que tão me caracteriza. Sinto-me único, e de tão "valioso" que sou não me exponho a frustrações alheias, a desejos falhados. Tudo que odeio num ser, tudo que odeio em ti, tudo que odeio em mim... não passam de meros ódios que um dia diluir-se-ão com a impotência que sentirás quando ousares tocar no meu ser!
Não importa onde a gente ficou, nem porventura onde você parou... Importa realçar esses momentos que ficaram por referir, as palavras que ficaram por dizer e que sepultaram esse instante de beleza pura que sem nunca afirmar tal subtileza fecharam-se em tristes gemidos sofridos... O pensamento mais puro e fértil deve (re)começar por uma recusa acertiva da vida... Deixando fluir o primeiro pensamento, o pensamento do nada, que não fazendo sentido prepara-nos para a busca da eterna recompensa do nosso semblante. Há que (re)começar em cada instante perdido, em cada caminho obstruído, em cada olhar desiludido... Há que procurar o gesto que ansiamos sem medo nem frustração, sem vontade nem obsessão.
Quando a obsessão se torna num ápice de loucura, em que o desejo se perde em vontades loucas de sentimentos perdidos já estaremos num patamar superior onde todos os limites foram postos à prova, onde eu e tu nos perdemos em rasgos confusos de ternura e paixão. Quando te sentires perdido em lágrimas escondidas e pensares que nada faz sentido ultrapassa essas metas e dança ao som de toques míticos envoltos em gestos delicados, em melodias fascinantes que te façam levitar, que te façam flutuar para um outro mundo, uma outra esfera... Vem dançar comigo, percamos esse preconceito que timidamente nos afasta, não deixemos que tal obsessão impeça nossos seres se afastarem, saltemos limites para no fim... no fim... ficarmos assim!
São meras circunstâncias que definem o sentido perdido do grau mais elevado da sabedoria do simples Homem quando apreende a adaptação do carácter às circunstâncias básicas, ficando no seu íntimo tranquilo aquando as tempestades exteriores.
A ti mulher, que em circunstâncias nasceste em pé de igualdade com todo o homem. A ti, por hoje se comemorar um dia de culto ao teu semblante. A mais simples flor irradia a grandiosa beleza que possuis ó Deusa-Mãe. Mulher de seu nome e género, todo o homem te admira no dia de hoje, pois foste tu que durante meses suportaste tamanha dor enquanto transportavas delicadamente esses homens. Tens um cosmo que me surpreende, tens um dom que tanto admiro, ó mulher, tu és o mais perfeito pensamento de Deus. Tornaste numa fonte de sabedoria a cada momento, do teu interior renasce a cada instante uma força poderosa que nutre coragem e regenera constantemente. A todas as mulheres que tanto admiro que não se deixam corromper pela futilidade banal que nos persegue os meus parabéns. Aumenta os teus níveis de força, apreendendo as virtudes dos homens, mas nunca os vícios, pois tu és inteligente e saberás perfeitamente distinguir os termos. A toda a mulher, neste Dia Internacional da Mulher, todos se centram em ti, todos te proclamam e admiram como sendo a Senhora da criação da elegância e beleza e, admiram a dádiva que é ser Mulher.
Hugo de Oliveira nasceu a 27 de Março de 1988, numa pacata aldeia de seu nome Pedreira, no concelho de Felgueiras, porém a vontade de respirar confusão de uma vida cosmopolita levou-o, atualmente, para a agitada cidade de Lisboa.
No tocante à sua formação académica e literária é licenciado em Relações Internacionais (Universidade do Minho), com especialização em Ciência Política (ISCTE-IUL), diz rever na arte das palavras uma diplomacia abstrata de expressões.
Canhoto assumido analisa de uma outra perspetiva o ângulo literário deste tão nobre dom, a escrita.
Entusiasta das emoções, apreciador nato de artes expressivas, do teatro ao cinema, descreve-se num meio-termo de uma obra inacabada.
Autor dos livros "Mulher Chuva" (2012) e "Pecado & Luxúria" (2013) pretende nesta obra, incitar emoções, despir e provocar sensações outrora imaginadas.