
Sabes que a vida já se findou em cabeceiras de verniz.
No amanhecer tão incerto, acordar que ainda não o sei,
Abraço o tecido do paradoxo
e depois permaneço no eterno juízo.
Vou perdido na escuridão,
Maquilho os dias a meu belo prazer.
O mudo silência felicita-me, ternura,
Sem nunca rever as cabeceiras.
As legendas são distintas, ornatos de rímel,
num espelho desfalecido.
Uma cabeceira envolve-nos na morte,
para quando a fatiga se apodera dos mortos e se mortalizam,
pertencentes às mãos!
Procuro a construção desse manjar,
o poente que germine a minha vida,
o ausente que me acompanha junto à cabeceira.
Nela, travam-se conversas e histórias,
Entre palavras e madeiras, esculpidas no suspiro, alento!
Caminho sobre pensamentos,
onde o inanimado se eterniza.
Percorro as luzes que se apagam,
e deito-me junto a ti, minha cabeceira!