segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Melancolia


Ambicionei ser uma canção,
Talvez um si menor basado em humildade,
Sentir a sonoridade de cada som,
Deixar-me entorpecer pela melodia do amor,
E vibrar na melancolia do meu pensamento,
E quem sabe ser orgia desse meu bafo,
Que dia após dor me consome e engana.
Desejei ser demente e cessar minhas loucuras,
Aspirando cheiros de ideias, injúrias de recordações,
E pintar o negro do meu ego em tons primaveris.
Quis ser quem não pude,
O monstro que criei,
Este aqui, só, vago de amor,
Que nunca mais desejarei.
Num ângulo inverso de violinos entorpecidos,
Julguei ferver sentidos inócuos,
Para na vertigem do sufoco de um amanhecer,
Pernoitar em ti, doce jugular.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Linhas


O intemporal dissipa-se nesta chuva de inverno | Os rostos carpem lágrimas da saudade | Faz frio, mas o teu olhar não se move | Resiste ao pecado do movimento e nem se debate. | Aquele passado torna-se cristalino no para sempre | Aquele estranho beijo ainda me inspira | Nas visões futuras que recordo em mim.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ángeles




Así es!
Como podría yo percibir el viento cuando se va el verano?
Como seré yo, como serás tú en ese invierno aplazado?
Gente que se despierta a las 4h de la madrugada,
Aún fantaseados de la promiscuidad de la vida,
Y que se despide con la mano sobre el corazón.
Cocinando sobre el rincón imaginable.
Son 2h de la mañana que podré hacer?
Nada más que disfrutarte en tu pecho,
Y perderme en un escondrijo de tu cuerpo.
Así soy, pido por nosotros en los altares,
Cuando la ventana parece cerrarse en tus ojos.
Te pido paz, lo merezco infundirte,
Creo resacar en tu alma este sentimiento,
Fundiéndome en ti, en nuestro beso.
Acreditamos vivir lejos, cerca de la fantasía,
Donde nuestra paz so será de oro.
En el cruzar de nuestras miradas cristalinas,
Te veo desnuda y libre del de la religión,
Recibo tu pasado en esa luz translucida,
Que muere cuando me acerco.
Que suave eres, que ternura me ofreces,
La sombra que nos ilumina es dulce de sabor,
Fresca mirada.
Fuimos ángeles en un principio,
En esto medio termo inacabado.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ser-se Animal




Um dia fomos animais e gostamos um do outro,
Vasculhamos os corpos nesse impasse,
fomos imprevistos no desejo,
Incertos.
Imaginávamos o sabor a magenta,
Precipitados,
fomos comuns nessa alegoria.
Fingimos,
Distantes do amanhecer.
Fomos animais e gostamos um do outro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Os Monstros




Morri de ti,
Mesmo antes de saber que nunca parti,
Prostrados um no outro,
Fingias sorrisos de mel,
Brincando às escondidas nesse sentido de pele,
Permanecemos nessa manhã,
Tão cedo que a fomos,
De uma virgindade ausente,
e aí, nessa manhã,
Parti e voltei sem querer,
Que nunca cheguei a chegar.
Os Monstros? Esses, são humanos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Aqui.





Mas sem nunca nos tocarmos um abraço deixa de existir, 
o toque é indolor à tua presença. 
Sabes, preenche-me o saber que aí estás!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Lançamento Livro Mulher Chuva


Quando dizia que os meus dias de blogger poderiam estar a terminar referia-me a 'isto'. Aproveito para convidar TODOS para a sessão de lançamento do meu livro 'MULHER CHUVA' a realizar-se no próximo dia 16 de Dezembro na Livraria Les Enfants Terribles, junto à Av. Roma, Lisboa.




domingo, 11 de novembro de 2012

Amar sozinho


Um final,
interrupto em mim,
ordinariamente afável,
palpitação, subjugado,
inércia na chegada,
permanece,
como se fosse este
obsoleto vício,
impermeável tesouro,
na pele sente-se,
sem freio,
deslize,
palavras perdidas,
outrora partidas,
amor desfigurado,
por um lato qualquer,
como se assemelha,
a mim.

sábado, 3 de novembro de 2012

Luxúria






Não resgatei do vento, 

Nem fiz da lua minha certeza,

Na algibeira o pura incerteza persiste,

Longe deixo o um vazio vagabundo incerto,

e ausente tão cerca as palavras estão,

Noites turvas em claro são,

No bolso habitam  palavras nuas,

Detalhes de uma imagem tua,

Palavras conjugadas sem predicado,

Destoadas num fácil rimar,

Amores difíceis, outrora fáceis de conjugar.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

De mim farei tempo




Já nada subsiste e de mim terei que abdicar,

Cerrarei portas e fissuras por onde o teu olhar por vezes passou,

Destruirei pergaminhos e sentimentos vazios e deitarei fora este corpo prostituído pelo presente,

Nos sentimentos revejo a vergonha em torno de prazer,

Riscarei qualquer analogia à pura sensatez,

Serei verdade enroscado de ironia,

De mim farei tempo,

E esse, fará de mim o que bem entender,

Entre becos e sorrisos de uma rua iletrada,

Vejo em mim uma interjeição esboçada em ti,

Que de um todo ausente ainda me faz sofrer,

De um amor que habita na minha mente, escrito por ti,

Que do pleno em mim nada reste,

Mesmo que o vazio que permanece em ti, de mim se despreze.

sábado, 22 de setembro de 2012

Porque tudo, sim tudo, tem um fim.




... Receio que os meus dias de blogger estejam prestes a terminar!








Até breve! 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Suja, alma em ti



A minha alma está suja,
Preciso vendê-la,
De nada serve tentar lavá-la.
A água!? Essa apodreceu,
No destoar de um qualquer sabão.
Sujidade velha, algo permanente, odeio-te.
A minha alma oculta-se em mim,
De tão suja quase a consigo disfarçar,
Ninguém daria por tal, alma imunda.
Sigo, duro, de gestos controlados,
Oculto uma podridão em mim,
Tanto dá, guardá-la ou chutá-la,
O nojo? É o mesmo, sou eu.
Ai, se eu pudesse livrar-me de ti,
Horas de sofrimento,
Esfregando e polindo noite após noite,
Essas nódoas que te consumiam lentamente,
Na tentativa de guiar-te,
Transformar-te numa alma de homem sã,
Que outrora serviu-te à boca,
Sem nojo, asco ou rancor,
Onde te confessavas,
Num silêncio mudo de conteúdo,
Num sujo infame,
Triste, banhado em doença,
Mortal desgosto na pele irritada.
Inútil, desajeitada, fútil,
Alma posta sobre a mesa,
Depressa, queimo-a,
Dissipo-a, enjoo-a.
Pausadamente, débil e tranquila,
Uma outra alma apoderar-se-á,
Renasço.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Hábil balanço

Inês Castel-Branco

Você! Sim, você, se quiser conquistar a minha atenção,
Cor sentida, de um cheiro intenso em sacrifício,
Com todo o tempo já passado, mal vivido,
Para ganhar esse sorriso, não apenas pintado de novo,
(Re)Faz-se em carreiras obtusas, trilhado em remendos,
No verdadeiro recomeço de uma história sem fim,
Mesmo daquelas menos percebidas, abundantes em si,
Espontâneas num princípio perfeito no ausente,
Mas que a ele consome debilmente a sua atenção,
onde crê amar, desejar, roer um pedaço que outrora abundou,
Sim, se você ambiciona conquistar a minha preferência,
não me compre, não me julgue, não se divirta comigo!
Dispenso lista de boas-vindas, gestos exageradamente controlados,
Esses docilmente serão arquivados,
Aquando as lágrimas corridas caírem de arrependimento,
Mas aí, digo-lhe, o tempo passou,
Para conquistar a minha confiança, a minha presença,
Digna de tamanha menção,
Você, deverá, antes de tudo merecê-la, pelo que duvido.
Seja rebelde, atue, aja em conformidade,
Sei que não é fácil, mas digo-lhe que eu valho tamanho esforço,
Experimente, seja consciente!
É de si, e para si,
que a conquista - eu - balança por si!

domingo, 29 de julho de 2012

Resta-nos, a Solidão!



Passo a passo, ficamos sós,
Por momentos recordados ou esquecidos,
Como se de guetos ou ruelas se tratassem,
Chegado o instante de identificar as memórias,
Para subscrever um beijo epistolar,
Embora que estupidamente desejado.
Ausentes sem terem morrido,
Vivos dementes, defuntos numa lucidez louca,
Vemos a vida ser respirada por outrem,
Descobrindo nesse estilo que não nos pertence,
A inutilidade da nossa existência,
Numa dissimulada paciência em conter a nossa vida.
Vemos pela janela entreaberta,
O sol quente vivo de inverno numa alma esquisita,
Que versatilmente assaltam os meus sentimentos.
Assistimos à anulação firme e destemida,
De um nome vulgar, algo humano,
Num mundo que não nos pertence.
E tudo aquilo que era lúcido e sentido em nós,
Num doce momento se transforma em pura solidão.

domingo, 22 de julho de 2012

A ti.





Onde estarás tu minha querida luxúria? Tenho saudades. As lágrimas que me caem no rosto parecem rochas que pesam, alegoria em ti. Tenho tantas saudades tuas. Amar-te foi uma aventura que voltaria a repetir por cada nova vida, por cada (re)começo. Amar-te foi tão forte que força alguma poderá traduzir esta vontade em ver-te. Como foi bom casar contigo e permanecer em ti tantos anos. Fazes-me falta. As lágrimas caem-me pelo rosto e sinto o teu cheiro. O resultado perene, para nós, foi tão forte tão bonito, realeza em nós. Não são doutores, mas são doutos em valores. Vejo neles a tua imagem, a tua atitude, o teu ser, imatura sensação. Tenho saudades tuas, das noites que passamos à lareira, das nossas idas ao campo, dos nossos acordares, do meu sufoco, do teu abraço ao deitar e o teu beijo ao adormecer, enquanto morríamos. Tenho saudades tuas. As lágrimas que me caem no rosto parecem ressuscitar um impulso adormecido. Imagino-te a sorrir, o prazer que em mim provocas. Acredito que onde estejas terás uma nobre missão, mas com o egoísmo do amor sinto vontade de partir e continuar teu, para sempre. Tenho saudades tuas.
Ressuscita em mim!