terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Nunca mais

Foto: Sigur Ros

Demais foram os medos, letais e fatais.
Das madrugadas que tais, foram eternas demais,
Todos os ventres conquistados, dos beijos mortais,
Emprenhados, estrangulados, virgens cristais.
Sombrio ventre audaz do amor beberei,
Das trevas perenes corpos celestiais,
Atracados na maresia ao largo do purgatório,
Parti sem destino, sem saber porque embarquei.
E amar por demais, sempre demais, a dor que sufoca,
Do espelho cristalino, meio vertido, sopro divino,
Nas chagas ecléticas almejado destino.
Saboreio a dúvida em partir ou ficar,
Procurando em ti, de mim para mais ninguém,
Do propósito vigente, ao amor me entreguei,
As almas displicentes unidas no eterno,
Dos versos rasgados, o tempo cremei.
E do para sempre a mais direi,
Nunca, prostrado, no amor errei,
Até ao dia, no entardecer solarengo,
A dor do teu abraço chorei,
Dum corpo evasivo, dum amor por demais.
Mais, amar a mais, nunca é demais.


Hugo de Oliveira

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A dor do teu abraço


E porque choram os meus olhos a dor do teu abraço?
O intemporal dissipa-se nesta chuva de inverno.
Os rostos carpem lágrimas de saudade.
Faz frio, mas o teu olhar não se move.
Resiste ao pecado do movimento e nem se debate.
Aquele passado torna-se cristalino no para sempre.
O estranho toque de um beijo ardente,
Ainda me inspira nas visões futuras que recordo.
No até já do para sempre permaneço na saudade,
Louca e sufocante dos teus braços perenes.
Mas sem nunca nos tocarmos um abraço deixa de existir,
O toque é indolor à tua presença.Preenche-me o saber que aí estás,
Um meio abraço metade cheio, verte-se em sabor.
Um dia fomos animais e gostamos um do outro,
Vasculhamos os corpos nesse impasse, fomos imprevistos no desejo.
Incertos. Precipitados, fomos comuns nessa alegoria.
Fingimos distantes do amanhecer.
Fomos animais e permanecemos abraçados.
Inalo a sintonia do amor,
Corpos cristalinos, o toque do beijo.

Texto: Hugo de Oliveira

Imagem: Faroe Islands

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Cores, livres.



Imagino as cores como elas não são,
Como que se os domingos permanecessem inócuos,
A presente textura da solidão.
Imagino se a dor tivesse uma música,
Ou se a brisa cheirasse a baunilha,
O oceano rabiscasse na queda da paixão,
O insensato prescrito na vaga da tertúlia,
Como se o para sempre fosse um até já,
Ou, simplesmente um minuto daquela hora!


Hugo de Oliveira in "Mulher Chuva" (2012)

Foto: amadeuopinies.blogspot

terça-feira, 29 de abril de 2014

Muralhas

Sonhos perdidos na derrocada divinal,
Dos astros beija-flor entardecido,
Do castelo torpe desvanecido,
Teu corpo vigente, amor carnal.
Se é Verão o cheiro de Inverno,
Poeira em ruínas do sol adormecido,
Um pasmo que sente tamanha dor,
Dessa pele crescente, terra ou animal.
E nos escombros sombrios carpem almas,
Que beijam pedras, procriam heras,
Na roda-viva o bem destruir,
Bebemos desse copo o verbo sorrir,
Tamanho encanto, sonho ou ilusão.
Permiti tombar as ténues muralhas,
De fogo posto amar ou partir,
Acreditei em sonhos suspensos,
Na melodia do beijo vivi,
Em teus lábios traguei a doce ária,
No teu corpo cresci em paixão,
Jorrado em lágrimas torpeci,
Nos teus olhos amor senti,
Permaneci. Parti.

Hugo de Oliveira



Fotografia: Imogen Cunningham

segunda-feira, 31 de março de 2014

Vem, clandestino.


Nesta pedra flutuante rasgo sorrisos,
Na esperança que venhas à noitinha,
Na hora do desassossego, o brilho cansado,
Se as estrelas latentes brilhassem,
Ficávamos unidos na dor de um abraço.
E recordar o sabor das tuas palavras,
O teu cheiro, o perfume do teu passo,
O fulgor no teu olhar, as tuas mãos,
Unidas num beijo, a dor, o cansaço.
Se tu viesses, meu bem, no instante perene e louco,
Rindo e fervilhando na vaga do bem-querer,
Em tons primaveris no pesar do sufoco,
Gritávamos baixinho a força do amor.
E de rosas ao peito, o cravo e sal do mar,
Cerram os olhos perdidos no desejo,
As lágrimas secavam,
Os gritos calavam,
Os braços que fraquejavam,
Estendidos nessa dor.
Ai…
Se viesses doido e clandestino…
Fugiria contigo, nas asas do amor.

(imagem: publicandosonhos.blogspot).

sábado, 8 de março de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Jangadas do Tejo

Quando as gaivotas deixarem de voar,
e o toque do teu beijo nos envenenar,
sucumbo aos prazeres do suave rio,
visto o corpo da noite,
a alma perene,
deixo-me esquecer,
serei rosto despidos da escuridão,
repouso a mente num banho imundo,
suavemente flutuo na triste solidão,
as insónias saram o arrependimento,
disfarçadas de canoas vigente,
de medos clementes,
vagueiam na margem.


Hugo de Oliveira (página facebook).


sábado, 18 de janeiro de 2014

Apresentação de Livro | Pecado e Luxúria: pasmos eróticos em poesia

Autor: Hugo de Oliveira

Felgueiras | Biblioteca Municipal de Felgueiras | 25 de janeiro, às 16h00
Hugo de Oliveira, nasceu a 27 de março de 1988, numa pacata aldeia do concelho de Felgueiras, porém a vontade de respirar confusão de uma vida cosmopolita levou-o para a agitada cidade de Lisboa.
No tocante à sua formação académica e literária é licenciado em Relações Internacionais (Universidade do Minho), com especialização em Ciência Politica (ISCTE-IUL), diz rever na arte das palavras uma diplomacia abstrata de expressões.
Canhoto assumido analisa de uma outra perspetiva o ângulo literário deste tão nobre dom, a escrita.
Entusiasta das emoções, apreciador nato de artes expressivas, do teatro ao cinema, descreve-se num meio termo de uma obra inacabada.
Data Inicio: 2014-01-25 16:00
Data Fim: 2014-01-25 18:00
 
Fonte: CM Felgueiras

domingo, 1 de dezembro de 2013

"Pecado & Luxúria: Pasmos Eróticos em Poesia"




Atenção: o Natal está próximo e haverá melhor prenda que comprar o meu livro "Pecado & Luxúria"!? 

Locais onde se encontra à venda:

Está disponível online no nosso site e na FNAC.PT, Wook, na bertrand Online e no Sítio do Livro. É possível, também, encomendá-lo em qualquer balcão Fnac, Book.it e Bertrand.

Livrarias:

Livraria Les Enfants Terribles
Cinema Nimas
Av. 5 de Outubro, 42B
1050 Lisboa

Livraria Nun’Álvares
Rua 5 de Outubro, n.º 59
7300-133 Portalegre

Livraria Papelaria 115
Praça 8 de Maio, n.º 29
3000-300 Coimbra

Livraria Branco
Rua Dr. Roque Silveira, n.º 95
5000-630 Vila Real

Livraria Caminho
Rua Pedro Santarém, n.º 41
2000-223 Santarém

Representações Online
Praça do Comércio, n.º 108
4720-337 Ferreiros AMR

Livraria BrincoLivro
Rua Alexandre Herculano, 301
3510 – 038 Viseu

Livraria Universo
Rua do Concelho, n.º 13
2900-331 Setúbal

Livraria de José Alves
Rua da Fábrica, n.º 74
4050-246 Porto

Livraria Esperança
Rua dos Ferreiros, 119
9000-082 Funchal

Nazareth e Filho
Praça do Giraldo, 46
7000-406 Évora

Livraria Graça
Rua da Junqueira, n.º 46
4490-519 Póvoa do Varzim

Aliete S Clara Brito
Avenida 25 de Abril, lote 24 R/C
8500-511 Portimão

Livraria Caravana
Morada Sede: Av. 25 de Abril, Edf. Vila Flôr 6º
8100-596 Loulé

Livraria Papelaria Meneses
Rua da Sobreira, n.º 206 Paços de Brandão
4535- 297 Aveiro.

sábado, 19 de outubro de 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sofrer em Silêncio


A ti mulher, dessa força vigente de uma delicadeza floral,
E desse espírito envolvente roubas a vontade em criar outros seres.
A ordem permanece em ti, a razão prevalece, os sentidos ocultam-se,
Nesse silenciar do concílio divino.
As vontades são calmas. Apaziguam.
Permanecemos, latentes, escutando esses contos,
Da pedra que grita, o animal que geme, do sorriso imaginado.
E os cães enraivecidos a mil sóis,
Desses vultos residentes imperfeitos,
Ouvem a música sonar, o cio despoleta, a vontade vigorosa.
E no grosso caminhar, tropeçamos na angústia,
Nas mazelas do passado ainda por viver,
Nesse beija-amor, hoje tu, amanhã aquela.
E nesse baile perspicaz, ressabiados e vazios,
Sabemos que és tu a quem desejamos, fantasiamos e amamos.
A noite vai caindo, o sabor da melodia agre e doce intensifica-se,
Porque a solidão que habita nas mentes,
Torna-se dolorosa, insuportável, letal.
E reconhecendo tamanhos anseios,
Cavamos tenuemente a minuciosa sepultura,
Dessa cova antecipada decorada em doce tons,
Esperamos, sorrindo,
Vazios de certezas,

O dia incerto o escurecer do amanhã.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Porra, maldita “crise”!

Porra, maldita “crise”! E desse flagelo urticante a repugnante emigração, principalmente a que me respeita, de amigos e conhecidos, desconhecidos e distante mas que em tudo nos aproximamos. E deste pedaço que nos assiste, tão pequeno e tão antigo, viu partir em jangadas, troncos e barris de velas e telas ao sabor do mar salgado, as mais velhas gerações, dos anos 30, 40 e até mesmo os cinquentões.
E esses, na luta feroz por um pedaço de qualidade de vida, pouco mais que o nome sabiam rabiscar, e ler essa língua estrangeira tornava-se difícil tarefa, para nem dizer falar que mal se entendiam, pronunciavam um português mal falado, com um toque de pronúncia estrangeira e lá iam conseguindo levar o seu barco a bom rumo, sem nunca naufragar. É certo, haverá povo melhor preparado para viver em qualquer parte do mundo? Duvido.
E foram os tempos, em que os filhos lá de Trás-os-Montes, distantes e perdidos, partiam sem rumo de mochila feita, com lembranças da lezíria da comida à saudade, um pouco meio-cheio preenchiam a vontade por umas semanas de partida. Agora, meus caros partem os Doutores, sabidos e explorados desta sociedade do conhecimento. E fogem, porque o sacrifício foi mais que tanto, anos e anos de uma luta desigual, por uma oportunidade neste nicho entorpecido que é o nosso país. E essas vagas escasseiam, altamente povoadas pelos Doutores de Coimbra, que reservam a sua cadeira usada e roçada para os enteados vindos lá das privadas e outras que tais. E a vergonha e frustração já levou tantos dos meus – porra – e o café de sempre perde o saber de anos, a imperial já não faz sentido, as saídas perdem um elemento base de todos os tempos. E os que ficam? Lutam para sobreviver, saboreando esse apertado sol de outono, a sardinha e o mar, a praia e montanha deste país desfigurado que me envergonha.
E aqueles que lutam sem nunca perderem a esperança e que contribuem para uma causa social, que se dedicam às artes, e até mesmo ao meio animal? São excluídos. Discentes. Perplexos desviantes desta sociedade corrompida. E o resultado? Mais uns quantos frustrados, agoniados e desanimados.
E torna-se corriqueira a notícia entre amigos, que vão partir, para o quê ou para onde vão, pouco sabem, apenas pensam (e eu espero mesmo) que vão para melhor. E já não vão os da aldeia, para a França ou Suíça, mas também os da Capital, que da China ao Nepal diversificam os destinos.
Porra, maldita crise, que tantos me levas, e por cá continuo, caminhando ao pôr-do-sol, com o pensamento a milhares de km’s, ao sabor desta angústia, onde o pastel de nata a nada sabe, o café tende a azedar nessa manhã em que o sol pouco ou nada brilha neste jardim à beira-mar plantado.


Porra!


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Convite: Pecado & Luxúria

Sintam-se convidados a assistir à apresentação do meu 2º livro de originais que se realizará no próximo dia 14 de Setembro 2013.

Será uma honra ter-vos por lá!

Pecado & Luxúria
Pasmos Eróticos em Poesia



p.s. embora sem ter escrito qualquer texto nos últimos meses, sempre li e reli textos antigos, por muito que tentemos "abandonar" este espaço, jamais o esqueceremos! :)


quinta-feira, 2 de maio de 2013

A despedida.

Meus caros amigos (se é que alguém ainda passa por este espaço, não sei...), e após vários anos a escrever neste espaço, com maior ou menor regularidade sempre fui deixando por aqui alguns textos, poemas, formas de estar e pensar. Foram cerca de 6 anos como blogger, mas creio que chegou a altura de me despedir neste espaço e embarcar em novos projetos. Parte de alguns poemas deste blog resultaram num livro - Mulher Chuva - que significou um dos projetos mais interessantes e ambiciosos em termos pessoais. Poderão adquirir um exemplar numa qualquer livraria perto de vós.



Agora, e já com mil e um planos torna-se difícil manter este espaço ativo, informado e visitado, e como já resultou num fim bastante nobre, foi deliberado que chegou o fim definitivo (ou não... não sei!). Resolvi levar a escrita 'à séria' e em breve poderão saber novidades minhas, basta seguirem a minha página do facebook Hugo de Oliveira - Escritor onde vou divulgando partes do livro Mulher Chuva, bem como de novos projetos.
Será uma honra e prazer receber-vos por lá (quem ainda se digna em visitar este espaço).

Por aqui descobri blogs do mais interessante possível, temáticas distintas, pessoas fenomenais. E, peço-vos que não se amedrontem e não caiam na cobardia de abandonar a blogosfera, tal como eu o fiz. Continuarei a seguir os blogs de sempre, bem como a deixar os meus comentários.

Até lá,
despeço-me com um enorme ogonblick-for-mig! :)

sexta-feira, 19 de abril de 2013